domingo, 9 de março de 2008

Ao homem que me ensinou o silêncio


Quem és tu

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?

A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.

A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética I, Caminho




Que mistério este.
Conhecer-te lentamente à luz branda dos anos. Que tens tu para me ensinar? Não te conhecer por inteiro e esperar sempre por conhecer-te.
Tantos anos passados sobre nós,
no entanto, não cresço, permaneço.

Que mistério este o do amor silencioso.
Que honra ter o teu sangue no meu sangue.
Que mistério este, pai.

Ao homem que me deu vida,
parabéns!