segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ar fresco na tarde

"Quanto mais o trabalho intelectual se deixa envolver e dominar pela actividade industrial rude e violenta, sem tradição e bom gosto, e quanto mais as ciências e as escolas se empenham em privar-nos da nossa liberdade e personalidade e inculcar-nos como ideal, desde a infância, a condição de um esforço obrigatório e acelerado, tanto mais entra em decadência e cai em descrédito e desuso, ao lado de outras artes «antiquadas», também a arte do lazer. "

Hermann Hesse

I'm dancing barefoot

"I'm dancing barefoot
heading for a spin
some strange music draws me in
makes me come on like some heroine

here I go and I don't know why,
I spin so ceaselessly,
'til I lose my sense of gravity..."

Patti Smith

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Festival

Respeitando o pulsar natural da vida, fazem caminhadas longas pelo meio das ervas e das árvores

terça-feira, 17 de junho de 2008

Couscous

La graine et le mulet

(ou em português idiota: O segredo de um couscous)


Filme não próprio para quem procura arrebatações, contorções emocionais e enredo saído das patas de uma tarântula. Saí do cinema com a certeza de ter visto um pouco de todos nós na tela.. Que dizer do herói silencioso -apesar de todas as tensões e provocações - que finca pé na sua dignidade e humanidade ao recomeçar a Vida aos 60 anos?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Breu

Ouvíamo-la quando perdemos o caminho. Ali no concreto da estrada breu as estrelas eram elas mesmas, como a ausência de luz era ela mesma apenas negro. Isso apenas.
Mapas, azimutes, teias de estradas e o cérebro pulsando do alto do conhecimento acumulado. Lamentámos a bússola deitada fora, uma semana antes, numa farsa de velhos exploradores da vastidão, batedores experimentados do desconhecido. De hipóteses românticas acerca da estrada a tomar fomo-nos mentindo de conforto. Estávamos à deriva.
O meu corpo afinou os sentidos como uma velha máquina que regressa à glória efémera do activo e eu estranhei-lhe o palpitar atento. O aguçar dos olhos arqueando as abas do nariz em direcção ao vento. Romance da selva.
Hoje, pelo menos 100 anos depois, não sabíamos caminhar no escuro.Trazíamo-nos perdidos, andando pelo meio de árvores indistintas, acelerando os corpos. Longe da poesia, o céu é apenas ele mesmo, indecifrável. Rodeados pelo mastigar constante dos pássaros do escuro soubemo-nos presas, não predadores.
anita