sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Acabaram de me chamar blogger!

ilustração: Shimizu

Acabaram de me chamar blogger... Sinto-me nua!




Stuck in a moment*

Dublin, 2006




I'm not afraid/ Of anything in this world*

Pelas ruas corriam alegres com as mãos abertas ao ar, joelhos carimbados pela calçada e roupa a fazer das nódoas medalhas de vencedores do esconde-esconde. Ficou a vê-los enquanto se sumiam ao fundo da rua em gargalhadas e mais corridas na luz da tarde.
Depois escondeu-se atrás de um vaso, à espera que a encontrassem.


*U2

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Vícios

"Some people have to be bribed even into happiness"

Nem toda a melancolia é poética.

O mistério da luz fustiga-nos os olhos


A cada dia

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

do Carlos Drummond de Andrade



E não é que acho sempre que ele tem razão? ;)

Alegria



Às vezes preciso de regressar a pátrias antigas.
É preciso treinar todos os dias a Alegria intensa de estar a crescer, de conseguir ver o mundo até onde o céu começa, de ter um coração aberto. É preciso acreditar, todos os dias, que todos os dias são dias a estrear. Despertamos todos os dias para a vida que nos aguarda. Porque não fazê-lo como se tivéssemos outra vez 6 anos?

Alguém conseguirá deixar de ser criança (em algum dia da sua vida)?
Anita

Escrevias pela noite fora

Escrevias pela noite fora. Olhava-te, olhava o que ia ficando nas pausas entre cada sorriso. Por ti mudei a razão das coisas, faz de conta que não sei as coisas que não queres que saiba, acabei por te pensar com crianças à volta. Agora há prédios onde havia laranjeiras e romãs no chão e as palavras nem o sabem dizer, apenas apontam a rua que foi comum, o quarto estreito. Um livro é suficiente neste passeio. Quando não escreves estás a ler e ao lado das árvores o silêncio é maior. Decerto te digo o que penso baixando a cabeça e tu respondes sempre com a cabeça inclinada e o fumo suspenso no ar. As verdades nunca se disseram. Queria prender-te, tornar a perder-te, achar-te assim por acaso no meu dia livre a meio da semana. Mantêm-se as causas iguais das pequenas alegrias, longe da alegria, a rotina dos sorrisos vem de nenhum vício. Este abandono custa. Porque estou contigo e me deixas a tua imagem passar pelas noites sem sono, está aqui a cadeira em que te sentaste a escrever lendo. Pudesse eu propor-te vida menos igual, outras iguais obrigações. Havias de rir, sair à rua, comprar o jornal.

Hélder Moura Pereira


Poema em prosa. Que me perdoe o autor, mas sonho com este poema sempre em prosa sempre fluído líquido como no meu pensamento. Acho que tenho coragem para dizer que é um dos meus poemas favoritos -talvez "o"- porque lhe imagino sempre as personagens; porque me apela como um resumo de Vida, um descrever saboroso da luta contra a rotina humana e o desejo intenso de libertação e encontro com o Amor absoluto. Talvez um pequeno argumento para um pequeno filme de todos nós.

Não sei se me consigo fazer compreender...

Estou de volta.