sábado, 21 de julho de 2007

Anita foi de férias

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer :
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.

Eugénio de Andrade



Que só dure o que bom foi. Andei a limpar o lixo ao meu pc, chego à conclusão de que me ando a repetir a mim própria. Reli emails, e outras conversas: as ditas conversas são as mesmas, os problemas parecidos, os receios e anseios.. os mesmos. Os mesmos amores, as mesmas desilusões. Os mesmos medos. Só duas coisas mudaram: a vontade e a noção de que mais do que limpar o pc, preciso de me lavar de tudo. Oh, Anita! Chegá de blá blá blá inconsequente. Chega de acertar o relógio por ponteiros alheios! Chega de preguiça! Chega de promessas utópicas!
DEEDS, NOT WORDS!

Aos zero leitores que este blog já tem, o meu mais profundo agradecimento.

a todos
beijo da anita


(a imagem acima é de alguém chamado Kayceeu, se não me falha a memória)


sexta-feira, 20 de julho de 2007

Anita vai de férias

'Um óasis no momento

se vieres à minha procura
estou atrás do lugar que não existe atrás do lugar que não existe há um lugar
atrás do lugar que não existe
são as veias do ar cheias de mensageiros
que trazem notícias da mais longínqua florida flor da terra
na face da areia estão traçadas as marcas do cavalo de um cavaleiro gracioso
que de manhã subiu ao cimo da montanha de Ascensão
atrás do lugar que não existe está aberto o leque dos desejos
tocam as campainhas de chuva para que a brisa sequiosa possa chegar ao cimo
de uma folha das campainhas de chuva que tocam
aqui o homem está só
e nesta solidão a sombra de um ulmeiro flui para a eternidade
se vieres à minha procura
vem devagar e suavemente para não quebrar a porcelana da minha solidão.'

Sohrab Sepehri



Vou de férias, para a LIBERDADE, ainda sem nada ter escrito, na esperança de regressar com saudades daquilo que ainda não disse e com vontade de dizer. E de que haja quem leia. Fica o Sohrab a tomar conta da loja.