José Gonzalez, versão de 'Love will tear us apart'
Frio e distante... de música quente e intensa este José Gonzalez de mistura paradoxal que me entrou pela mente, coração e ouvidos dentro.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
À primeira vista
terça-feira, 29 de abril de 2008
Starless remake: versão do Craig Armstrong
versão de 'Starless' do Craig Armstrong, 'Starless II'
obrigada Miguel ;)
(humm... gosto mais do original dos KC)
Repeat, play, repeat
quantas emoções cabem dentro de uma música?
anita
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Plus d'Hiver
Dans les villes, les gens s'endorment un peu
sous un soleil de plumes.
Yann Tiersen - ''Plus d'Hiver'' (em Les Retrouvailles)
(apenas para pessoas no mood certo..)
Manifesto
Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. director
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho
vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade de co-senos secretário do amante exemplar com modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação'
Manuel Bandeira
assino por baixo e por todos os lados.
anita
(retirado de nescritas.nletras.com)
24 dias/ 21 grams
Acordou assim para o dia azul e sol e lâminas de luz pelos olhos dentro. A roupa puxou-a para dentro de si, os sapatos saltaram para os pés, por último, o pente mordeu-lhe o cabelo, o batôn agarrou-se aos lábios. Pequenos robots independentes, pequenas aias a empurrarem-na para o ofício do dia. 24 dias seguidos de labor, bordar palavras ao telefone, no papel. Trabalho incessante. Palavras-rio sem estancamento possível. Ao 25º dia consecutivo, o cérebro ganha autonomia, passa a tomar decisões sem o suporte do corpo ou do coração. Viu um filme há uns anos que dissertava sobre a teoria dos 21 gramas perdidos instantaneamente pelo corpo logo após a morte. No entanto, continuava a pesar, no mínimo, mais 100kg. Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma?
anita
terça-feira, 22 de abril de 2008
'I got life'
'I got my arms, I got my hands
I got my fingers, got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, got my blood
I Got life, I got my life'
Nina Simone, Ain't got no/ Got life
sábado, 19 de abril de 2008
Esperança (com banda sonora)
Ela seguia resoluta pela rua enquanto esmagava pensamentos com os lábios. Decisões na manhã cinzenta de março, um lugar para onde ir, um abrigo onde desaguar ventanias.
Não chega e basta, pensou. Luar de terça-feira, lua cheia a balouçar nos vidros da porta de entrada.
Passam horas e dias e tempo que baste. Ela continua resoluta na luta, jogando puzzles na mente confusa. Prende-se na sua respiração - na dele, maçã de adão, peito, maçã de adão- qual cientista à espera de uma explosão prometida, um incentivo que traga êxtase igual ao da descoberta do átomo. Em vão.
Lua minguante, tu, aquele que paira lá no alto como um astro-rei, trazes-me a noite e o silêncio distante. Esmagas os meus dedos nas tuas portas fechadas com o vigor de um soldado vencido de um jogo de vídeo. Porque ficcionas fantasmas? Porque insultas esta luz com desejos efémeros?
E imagina, uma vez mais, o momento do desvelo, ansiado. Ele, finalmente, a estrafegar os seus demónios na banheira, a crescer-se o homem da sua idade, de repente dos 16 anos aos outros tantos num segundo. Num segundo, um homem livre de si mesmo.
Porque te recusas a sair de ti para a vida? Para esta vida que acontece neste minuto enquanto penso o que te digo e engoles a solidão como refeição sadia –esperas por outra vida que não sabes se virá. Porque tens medo de reconhecer o medo? Que temes?
E ele, demasiado perto de si mesmo, toureia-a e à sua mão aberta, essa mão íntima é uma oferta de bordel - palma para cima, sem medo. Que medo. A maioria das vezes, atira-lhe palavras-formigas à pressa pelas linhas do telefone, não venha pergunta incómoda, não se lhe parta o querido gelo, não se lhe quebre o código de soldado. Intoxicado pela beleza do futuro que ainda não existe –só na sua mente acúçar-cristalizado - acabará sozinho, na companhia de palavras formigas-medrosas saindo da televisão do dia.
E ela decide Chega, tenho os dedos em sangue das tuas portas fechadas e quero ser livre.
anita
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Para 2 noites duplas

Poema sobre a recusa
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
em termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
Resistir
Dobrar na boca o frio da espora
Calcar o passo sobre lume
Abrir o pão a golpes de machado
Soltar pelo flanco os cavalos do espanto
Fazer do corpo um barco e navegar a pedra
Regressar devagar ao corpo morno
Beber um outro vinho pisado por um astro
Possuir o fogo ruivo sob a própria casa
numa chama de flechas ao redor.
Joaquim Pessoa
quinta-feira, 17 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
Linda (ouvir apenas...)
Ó vídeo é fraco, um pouco deprimente/ cor-de-rosa a mais, não seria a minha escolha, mas foi o único que encontrei com esta versão da Mercedes Sosa e do Milton Nascimento. Serve o propósito.
Volver a los diecisiete despues de vivir un siglo
es como decifrar signos sin ser sabio competente
volver a ser de repente tan fragil como un segundo
volver a sentir profundo como un nino frente a Dios,
eso es lo que siento yo en este instante fecundo
Violeta Parra
Nevermind David... It's William!
Rocket Man, por William Shatner (Star Trekkie)
O original é do Elton John e de outro fulano.
domingo, 13 de abril de 2008
Música das Esferas..
Não.
Rejeito a inteligência com a
nobreza de um louco.
É desta intermitente luz do coração que
sobrevivo.
anita
Sanvean, Lisa Gerrard
O vídeo&música plenos de sentidos! (a partir da anime Ghost in the Shell, de Mamoru Oshii)
Banco de sábios
sábado, 12 de abril de 2008
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Poema comentado
A noite trocou-me os sonhos e as mãos [aliás, trocou-me toda]
dispersou-me os amigos [não sei como me aturam]
tenho o coração confundido e a rua é estreita [sobretudo quando vou para casa, arrasto-me]
estreita em cada passo
as casas engolem-nos [ó se engolem]
sumimo-nos [era o que queria]
estou num quarto só num quarto só [ainda por cima sem mobília]
com os sonhos trocados [eu sonho é de mais]
com toda a vida às avessas a arder num quarto só [alguém já sentiu o mesmo!]
Sou um funcionário apagado [mais uma na máquina, admito]
um funcionário triste [triste não, talvez pouco contente]
a minha alma não acompanha a minha mão [acompanha, daí ter tanto trabalho]
Débito e Crédito Débito e Crédito [empréstimo, conta ordenado, cartão de crédito, 20 euros no bolso]
a minha alma não dança com os números [ela não queria, mas teve de se habituar]
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente [nem tempo tenho de me pentear]
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar [às vezes sou]
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever? [porque a vida não é só isto]
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço [porque 'tou com o cérebro de um pequeno molusco]
Soletro velhas palavras generosas [despacha-te, dá-me essa treta, é para ontem, envia já minha abécula]
Flor rapariga amigo menino [é o que vai no coração]
irmão beijo namorada mãe estrela música [no coração]
São as palavras cruzadas do meu sonho [faço-as para não sonhar e dormir apenas]
palavras soterradas na prisão da minha vida [desisti de soterrar seja o que for]
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida [a noite é sempre curta para tudo]
num quarto só [nem sempre, às vezes tenho visitas]
António Ramos Rosa
Comentários de anita
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Voyeur
Continuo a rubrica de beijos magnéticos em flagrante... Nesta, magnetismo tímido, formalidade do gesto, pouco apaixonado, revelando hábitos de anos. As mãos dele nos bolsos são deliciosas. Será da barriguinha?...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
La Double Vie
Filme-poema que recordo vezes sem conta na cabeça..
Vale a pena ver além da tristeza que o percorre.
La Double Vie de Veronique, do Kiewslovski.
Sentimento para um fim de semana agrilhoado em trabalho
Para sonhos fatais,viagens mentais...
O vídeo não um Scorcese, Fellini, outros que tais, mas para mim basta.
Socooorrrrooooooooooooooooooooooo
anita
Duelo! sweet young Rita Vs sweetsour lady Beth: Love or Mysteries? What say you?
Don't look at me, just look inside
(...)
Tell me are you going tired of what I don't do
I wanna see, I wanna find 'cause I don't feel scared
(...)
And I can waste this precious time asking where do I belong
Choose love, Rita Redshoes
God knows how I adore life!
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more
When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine
Mysteries, Beth Gibbons & Rustin Man
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Laboratório
Naqueles dias, os corpos aceleraram-se em provas várias, testaram-se os rubores da pele, a sensibilidade ocular, o tempo de reacção dos elementos. Com rigor, foram-se anotando em conclusões, cadernos plenos de provas e contraprovas. Todos os comportamentos registados pareciam ter, afinal, explicação.
Num derradeiro ensaio, a razão triunfando de certezas, esterilizaram uma vez mais instrumentos, lavaram as mãos até aos cotovelos. Observando, sem respirar, a última lamela, viram microscópicas células cerebrais, alimentando-se, num festim colorido, de um pequeno ponto, bem ao centro do vidro. Aumentaram a nitidez e rejubilaram: ao centro, apenas um pequeno coração, não muito maior do que um átomo, desaparecia na luz.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Vícios, vinicius
É possível renascer dentro de um poema: O Haver, Vinicius de Moraes (ele próprio lendo...)




