Não tenho números, mas aposto que se semicerramos os olhos e escolhermos um jornal, revista, site, panfleto, ao acaso, vamos sempre, mas sempre, encontrar um artigo com as palavras vida, equilíbrio, bem-estar, harmonia... É assunto da ordem do dia tanto quanto as cotações da bolsa, o tempo, a política, o divórcio da madonna. Está sempre, sempre lá. Todos os dias - bem, quase todos os dias - me passam para a mão um folheto anunciando uma qualquer clínica de bem-estar ou spa, centro de cura espiritual especializado em todos os males ou simples ginásio à medida-da-sua-preguiça. Tudo e todos cantam aos ventos para que olhemos mais por nós, nos equilibremos, comamos melhor, durmamos mais, nos harmonizemos connosco e com os outros, façamos melhor e mais bizarro amor, sorriamos às criancinhas, aos taxistas que nos tratam mal, aos velhinhos que nos dão encontrões nas filas de espera, cheiremos as flores e o fumo dos carros com um sorriso nos lábios, sejamos verdadeiros picassos na cozinha, mais refinados a vestir, mais sofisticados no trato, mais caridosos e solidários, mais honestos, mais cultos... E que nos amemos superiormente mesmo quando lixamos alguém à grande. E, no fim de contas, fica esta fotografia: isto cansa. Tanta conversa cansa porque embora reflectindo uma preocupação genuína, um anseio verdadeiro, quantas pessoas pensarão sobre o que quer realmente dizer para si próprios bem-estar, harmonia, vida plena? Quantos têm realmente tempo para se pensarem no meio do lusco-fusco?
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
que natureza esta
que natureza esta a de nos vergarmos
à gravidade serena dos astros, à ridícula lua alva dos poemas-cordel de atar folhetins.
à janela, a lua, eu digo-a cheia,
tu dizes quase.
daqui, vemo-la branca luz de cinza a marcar ritmos neste previsível corpo.
à janela, a lua, eu digo-a farol magnético das noites inebriadas
de todos os animais, em todos os tempos.
anita
à gravidade serena dos astros, à ridícula lua alva dos poemas-cordel de atar folhetins.
à janela, a lua, eu digo-a cheia,
tu dizes quase.
daqui, vemo-la branca luz de cinza a marcar ritmos neste previsível corpo.
à janela, a lua, eu digo-a farol magnético das noites inebriadas
de todos os animais, em todos os tempos.
anita
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Demolition man
Cartoon de Rodrigo, in Expresso.ptRenasce a esperança nas bocas das gentes do mundo com este novo messias e sabemos todos como a esperança pode ser poderosa.. mas também pode ser perigosa... É melhor vê-lo apenas como um Harry Potter munido de um kit de magia... Ainda não sabemos quanto vai custar a renda da Casa Branca a Barack Obama.
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