quinta-feira, 24 de julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Voz, silêncio again


Voz, silêncio

Há vozes que trazem consigo a efémera manifestação dos elementos: são gotas de chuva, ou relâmpagos.. Às vezes demoram-se o tempo de um sol que desaparece no mar ou em terra.
Não são bem as vozes, não é bem a voz, mas essa curta vida, esse curto êxtase que me seduz.
Se admiro tanto vozes é porque elas espelham a vida: nascem do silêncio, elevam-se até ao topo do seu esplendor para logo, em ânsia, regressarem ao mesmo silêncio original.


anita


Elis Regina - Cais

terça-feira, 22 de julho de 2008

like a blister in the sun

o verão é esta janela que se derrama à beira de nós como um animal lânguido. obriga-nos ao torpor contínuo enquanto despertamos do baú mental as ficções libertadoras de areia e sal ou de campo e verde ou de cidades desconhecidas, pejados de velhos e novos amigos.
este langor é perverso porque efémero. no seu carácter de ficção impermanente, o inebriante verão esmorece e morre no momento em que acordamos, momentaneamente renovados para mais 2 centenas de horas na fábrica habitual.
verão, sim. mas verão contínuo, não de férias, não efémero, mas um permanente sol luminoso a irradiar todo o ano a partir de nós.
e as viagens? que se façam sempre, a vida inteira, que a distância mais curta entre dois pontos é sempre uma linha ondulada.
que ritmo este o da vida humana actual...

anita

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Qual é


a minha boca ou a tua?

Jorge de Sousa Braga

La Javanese - Madeleine Peyroux

Foto: Paulo Azevedo

sexta-feira, 11 de julho de 2008

"Triangular Theories of Love"?


in Wikipedia
E o amor desmesurado ao intelecto, ao materialismo e à teorização sobre tudo e mais alguma coisa... onde entra?!
E já agora a busca pela cura da infecção pelo Lovebug... para quando?
Scientists, roll up your sleeves!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Entre mundos



Às vezes a vida muda surpreendentemente como num vórtice doido...

(foto: Conde de Angola)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cócegas no coração

Gosto, gosto muito. Faz-me cócegas no coração esta versão da Ane Brun do "When I am Laid in earth" (da ópera Dido e Eneias) do Henry Purcell.
Fico com vontade de cantar em replay, repeat, remake...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Na madrugada, um rio em forma de carta

























"Tu és a terra...

Tu és a terra em que pouso.
Macia, suave, terna, e dura o quanto baste
a que teus braços como tuas pernas
tenham de amor a força que me abraça

És também pedra qual a terra às vezes
contra que nas arestas me lacero e firo,
mas de musgo coberta refrescando
as próprias chagas de existir contigo.

E sombra de árvores, e flores e frutos,
rendidos a meu gosto e meu sabor.
E uma água cristalina e murmurante
que me segreda só de amor no mundo.

És a terra em que pouso. Não paisagem,
não Madre-Terra nem raptada ninfa
de bosques e montanhas. Terra humana
em que me pouso inteiro e para sempre."

Jorge de Sena


(foto: Ângela Ferreira)