quarta-feira, 2 de abril de 2008

Laboratório

Num desejo mudo de cientistas, experimentaram-se. A ocorrência frequente de alguns fenómenos carecia de estudo atento. Ensaiaram perguntas para as respostas exactas já conhecidas e iniciaram os trabalhos.

Naqueles dias, os corpos aceleraram-se em provas várias, testaram-se os rubores da pele, a sensibilidade ocular, o tempo de reacção dos elementos. Com rigor, foram-se anotando em conclusões, cadernos plenos de provas e contraprovas. Todos os comportamentos registados pareciam ter, afinal, explicação.

Num derradeiro ensaio, a razão triunfando de certezas, esterilizaram uma vez mais instrumentos, lavaram as mãos até aos cotovelos. Observando, sem respirar, a última lamela, viram microscópicas células cerebrais, alimentando-se, num festim colorido, de um pequeno ponto, bem ao centro do vidro. Aumentaram a nitidez e rejubilaram: ao centro, apenas um pequeno coração, não muito maior do que um átomo, desaparecia na luz.

anita

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