quinta-feira, 24 de abril de 2008

24 dias/ 21 grams



Acordou assim para o dia azul e sol e lâminas de luz pelos olhos dentro. A roupa puxou-a para dentro de si, os sapatos saltaram para os pés, por último, o pente mordeu-lhe o cabelo, o batôn agarrou-se aos lábios. Pequenos robots independentes, pequenas aias a empurrarem-na para o ofício do dia. 24 dias seguidos de labor, bordar palavras ao telefone, no papel. Trabalho incessante. Palavras-rio sem estancamento possível. Ao 25º dia consecutivo, o cérebro ganha autonomia, passa a tomar decisões sem o suporte do corpo ou do coração. Viu um filme há uns anos que dissertava sobre a teoria dos 21 gramas perdidos instantaneamente pelo corpo logo após a morte. No entanto, continuava a pesar, no mínimo, mais 100kg. Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma?

anita

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