segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Carta aberta às cinderelas deste mundo



Carta aberta às cinderelas

Há qualquer coisa nuns saltos que muitas e muitas mulheres -ok, em muitas –funciona como um boost efémero do ego. Nada contra. Pelo contrário, sei, de alguma experiência, o quantos uns saltos altos podem funcionar como um bálsamo quente para a alma, uma poção mágica para um dia cinzento, um excitante silencioso para um noite longa, um “abre-te sésamo” para uma reunião importante ou um acelera social. Ok. É um daqueles adereços do mundo feminino com potencial suficiente para revoluções e sobre o qual todas as mulheres têm algum domínio: -mesmo que não os usem- as suas virtudes estão marcadas nos genes, são transportadas de geração em geração, em segredo suspirado pelas avós e, desde há uns anos, nas páginas das revistas para gaja. E, por muito pseudo-intelectual, freak, bloquista, libertária, liberta, feminista, “do contra” ou “desligada do mundo” que se seja, (ou se pareça ser), vamos lá por as coisas nos eixos: não há quase uma única mulher que nunca tenha calçado uns sapatos de salto mais ou menos alto (dos 3 aos 9 cm, aos 11cm); mesmo os não usando, nem que fosse para averiguar das suas virtudes mágicas e metamorfoseantes, e ficar a pensar, “e se”?. Uns sapatos bonitos, bem construídos, de bom gosto, podem fazer mais pela imagem do que um baton vermelho esbarrado ao acaso (bom, dependendo do caso, pelo menos até se abrir a boca...) Não vale a pena negar, vá lá...! Eu própria consigo reunir uma colecção de muitos pares de sapatos de todo o tipo, com e sem salto, mais femininos, mais masculinos, mais desportivos, mais doidos ou menos, mais convencionais, enfim, gosto muito do divinamente inspirado sapato.
Mas vou ao assunto deste falatório todo: não consigo deixar de reparar no fenómeno de algumas mulheres se transformarem quando dentro de uns altos de metro e meio (atenção: acima dos 5 cm). E não, não se tornam cinderelas ou princesas ou mulheres fatais. Ficam simplesmente mais parvas, de ego tão subido que julgam possuir o domínio de todos os 20m quadrados em sua volta, olhando com desdém para as restantes fêmeas do bairro como se estas fossem pobres camponesas enfarruscadas de mão estendida para a senhora feudal. Nunca repararam na forma como algumas mulheres de saltos alçam mais o rabo -espetam-no mesmo- exageram ainda mais o rebolar de ancas, fazem ainda mais barulho com os saltos à lá bailarino de flamenco? É que aquilo dá-les cá uma volta à auto-estima e à segurança.. Deuses! E o público aplaude. É vê-las, missmundos ou não, gordas, magras e assim-assim, enrugadas ou lisas, bonitas, feias e assim-assim, não interessa, é vê-las usar os saltos altos com a mesma mestria com que um almirante carrega no fire do seu míssil terra-mar. A quem é que o bancário, o balconista da zara, o mecânico, o professor catedrático, o padre, o funcionário-público, o vendedor de castanhas, o barman gay vai atender em primeiro lugar, com mais deferência, com mais minha senhoras pelo meio? Aos saltos altos, claro. Eles têm precedência. Eles impõem-se como um marques mendes atrás do púlpito. As mesmas experiências atrás citadas nunca serão as mesmas quando envergando umas simples sabrinas ou botas rasas. Experimentem-no. Eu já o fiz e a diferença é absoluta e total. E não, não é da minha imaginação, ou frustração, ou bláblás e psicologias do género. Não percam tempo a analisar isto. É um facto, senão comprovem-me o contrário. E, enquanto o fazem, vou ali ao sapateiro pôr umas capas novas nestas botas de salto alto que fazem um barulho que acorda o bairro inteiro.

A muita vossa, amante do muito supracitado

anita

Ps. Porque é que as feministas do Séc. XX queimaram os seus soutiens mas não fizeram uma grande fogueira com os seus sapatos? Humm? Vamos pensar nisto…

1 comentário:

Miguel disse...

Não é que é mesmo verdade! Eu mesmo lido diaria e infelizmente com uma que, precisamente do alto daqueles vários cms extra ao seu corpo, se julga dona e senhora seja lá do que ela se julga dona e senhora. É parva, é o que é. E lá do alto, ainda se dá mais pela parvoeira que lhe encima a cabecinha oca, pobre triste criatura.