sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sentido prático

Ilustração: Yuko Shimizu


É quase noite, crepúsculo mesmo. Estou sentada nas escadas, os prédios em redor. As pernas chegam-me para apoiar o queixo e enrolar os braços. O céu está ainda azul, aviões cruzam-no para trás e para a frente rasgando traços brancos mesmo por cima de mim. Tudo em volta é gigantesco. Assume contornos de absurdo, de indefinição.
Aqui, parada, o cérebro em alta voltagem, anseio transformar-me naquela joaninha que ainda há pouco apanhei no parapeito da janela. Ela que percorre, empenhada e veloz, as luzes desta cidade lenta e repleta do peso de todas as lamúrias:
Objectiva, certeira, senhora-de-si, despojada de filosofias de empatar-o-tempo.

anita

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